ASSÉDIO MORAL ORGANIZACIONAL – STRAINING OU GESTÃO POR ESTRESSE

sexta-feira, janeiro 6th, 2012.

O Estresse nem sempre é ruim, sendo até mesmo, na dose certa, essencial para a sobrevivência humana. Ele nos faz ir além do que poderíamos em uma situação comum.
Porém, a situação de estresse deve ser excepcional, vivida apenas nas situações que fogem à normalidade de nossa vida. Nestes termos, o estresse nos é útil, pois suga de nosso corpo, de nossa mente aquilo que não poderíamos dar numa situação comum quando estamos em perigo.
Um exemplo de estresse saudável e que determina a sobrevivência de um individuo, pode ser dado quando uma pessoa, para fugir de um pit bull, muito zangado, consegue correr em uma velocidade incrível, mesmo nunca tendo participado de uma maratona ou feito qualquer esporte. É a luta pela vida.
Porém, não podemos correr de um pit bull todos os dias. Nosso corpo não teria se restabelecido da situação anterior, nosso emocional se esvai, o que seria uma excepcionalidade vai se tornando corriqueiro e isso é extremamente destrutivo.
Infelizmente esse estresse pode ser constatado hoje em dia na vida de muitas empresas, que, visando o sucesso e o lucro, não medem esforços, não respeitam seus operários, não percebem que naquela coletividade de trabalhadores há individualidades sendo massacradas por um sistema que lhe impõe um estresse diário, com desafios utópicos de vendas, sem espaço para repouso, estimulando a concorrência desleal dentro do ambiente de trabalho entre seus empregados, colocando a vida familiar do trabalhador como algo secundário ou um obstáculo para seu crescimento na empresa, mostrando que empregado que não aceita ir muito além é atraso social e sinônimo de fraqueza, etc.
Empresas que ignoram ou toleram que o estresse se dissemine no ambiente laboral em prol de lucro imediato, geralmente, trazem histórico de assédio moral, inclusive do assédio moral organizacional.

Claro que em um mercado competitivo só se mantêm aquelas empresas mais ativas, atualizadas, estratégicas e de rápida resposta aos consumidores, porém, como qualquer máquina, para estar em bom funcionamento, é preciso que haja manutenção periódica em suas peças, que desgastadas levam todo o maquinário, em algum momento, a parar com a atividade.
Portanto, straining, assédio moral organizacional ou gestão por estresse é uma “técnica gerencial” por meio da qual os empregados são levados ao limite de sua produtividade, em virtude de ameaças, que vão desde a humilhação e ridicularização em público até sua demissão.
O straining é um assédio mais grave do que o assédio moral interpessoal, pois trata-se de prática institucionalizada pela empresa no sentido de incrementar seus lucros às custas da dignidade humana dos trabalhadores.
Nesse sentido, o TRT da 16ª região (MA), condenou em 09.05.2011, uma concessionária de automóveis a pagar R$ 200 mil de dano moral coletivo pela prática de straining a seus funcionários.
Os desembargadores votaram pela redução do valor condenado pelo juízo 6ª Vara do Trabalho de São Luís, que foi de R$ 500 mil. Eles decidiram que o valor condenado será destinado a fundo gerido por Conselho Estadual do qual faça parte o Ministério Público do Trabalho do Maranhão e representantes das comunidades afetadas ou a projetos sociais indicados pelo MPT-MA e que visem à reconstituição de um ambiente do trabalho sadio.
A condenação originária ocorreu na Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho do Maranhão (MPT-MA) na 6ª VT de São Luís.
Como resposta ao Straining ou Gestão por Estresse surge a Gestão do Stress Ocupacional, que visa a trabalhar encima de alguns problemas hodiernos da relação trabalhista, com programas preventivos e interventivos para reduzir/eliminar as causas de estresses.
Os problemas detectados por esse programa em um ambiente do trabalho doente são os mais variados possíveis, tais como:

Psicológicos:

- lapsos de memória;
- irritabilidade;
- ansiedade;
- fadiga;
- apatia;
- alterações de humor; etc

Físicos:

- falta de apetite;
- problemas de concentração;
- boca seca;
- problemas respiratórios; etc.

Comportamentais:

- maior tendência para o autoritarismo e punição;
- absenteísmo;
- aumento do número de erros; etc.

Estudos também mostram que estes sintomas variam de acordo com o sexo, geralmente levando as mulheres a sofrerem de depressão e homens a comportamentos mais agressivos.
De fato, esta é uma realidade que chegou ao Judiciário. Porém, cabe aos administradores de empresas, aos empregadores com poder de gestão/chefia, aos aplicadores do direito e à toda a sociedade inibir e eliminar a prática do straining em prol de um ambiente de trabalho saudável e humano.

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